"As pernas cruzadas se confundem, resumia cada assunto que se encontrava no peito dela”.
Um ritmo íntimo e forte aliado à desculpa de ouvir as batidas cardíacas da boca. Valia o risco do pulmão inflado, as mãos e as facas, apenas querendo colar os ouvidos no peito e sentir pulsar o som mudo da essência do perfume de seus cabelos.
Confunde os números tolos alternados ao sorteio de contar as batidas de um minuto, de zero a cento e cinquenta só para voltar a recontar e pendurar meus olhos pálidos na moldura de mais um poema para lhe dedicar.
E você sabe o que há dentro da minha boca quando nossas línguas aceleram as batidas mútuas de um só peito.
Eu lancei minha voz em seus ouvidos desejando ser estúpida e conflitar em teus abismos sem palavras. Talvez a minha voz sussurrasse que te adora baixinho enquanto a minha mão afagasse teus cabelos como quem afaga notas musicais.
A verdade é que janeiro nunca esteve tão tomado pela liberdade que cola nos ombros.
E eu quis que você amadurecesse enquanto vejo o que seus olhos não alcançam, mas tua imaturidade são fogos de artifício que penetram e me fazem ter medo de que um dia você cresça muito, talvez, a permissão de nossa felicidade recuasse no instante em que você crescesse acima dos meus restos de ingenuidade.
E por algum motivo que já nem sei, preservo os sinos dos teus pés infantis e faço parte das tuas cirandas, beijando-lhe o rosto, a testa e fazendo de minhas unhas enredo para participar de tuas traquinagens.
Por vezes, o teu silencio me atinge a nuca e me queima as mãos, mas daí, teus olhos me dão o caminho de tua íris e eu leio frases completas antes de cada piscar e conseguimos juntas compartilhar batidas cardíacas inteiras assim como aquelas músicas que pensamos ter sido escritas para nós. Abro todas elas como quem abre antigas prisões.
E é quando leio tuas batidas que perco o medo de nossos acusadores atrofiados.
Confirmo todos os dias que é na morada dos olhos que teu corpo fervilha.
sábado, 23 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Absurdo Pagão
Tenho enfraquecido o silencio. Já você, é dona de um calor que sopra minha saudade e abana esta minha solidão.
Há dias, carrego pelo corpo o tamanho desta doença que agora tem suor frio. Desculpo-me dos beijos e dessa consciência de não poder querer aquietar-me na transparência de quem se quer.
Pensei ter superado o desejo destas flores de um inferno que nem sei. Mas este peito sempre foi livre de preconceitos e rótulos dispensáveis a cada vez em que você me beija.
Nem Pai, filho ou espírito santo poderia julgar aquele beijo, não havia pecado.
Fomos consumidas por nossas bocas que não sabiam estar longe e até o próprio Deus saberia nos entender tamanha vontade de que nosso pecado fosse perdoado.
Não tive medo de nos verem e nos julgarem. Tive medo do teu rosto mudar a expressão e de que em algum momento onde eu piscasse os olhos você se preparasse pra sumir.
Ainda não consigo entender o porque me desculpo se em cada traço dos seus olhos existe uma ordem natural das coisas que não sei de onde veio e pra onde irá.
Apenas marquei teus pontos fracos, gravei teus detalhes sórdidos, o movimento da tua boca falando coisas banais, e do teu corpo pressionando delicadamente o meu quando quer fazer amor, o cheiro dos teus cabelos que talvez eu nunca tenha conhecido, as mãos com as unhas vermelhas de um sangue iluminado, o teu carinho absurdo pagão.
De tudo que mora em você gostaria que me abraçasse por todos os caminhos e talvez um dia que, falássemos que nosso carinho não é exigência, é uma necessidade interminável de espetar nossa liberdade.
Quando carícias encontram dois corpos nos perguntamos da veracidade de qualquer doença e constatamos que a doença está em não saber o tamanho do mundo de movimentos frágeis e calados.
Há dias, carrego pelo corpo o tamanho desta doença que agora tem suor frio. Desculpo-me dos beijos e dessa consciência de não poder querer aquietar-me na transparência de quem se quer.
Pensei ter superado o desejo destas flores de um inferno que nem sei. Mas este peito sempre foi livre de preconceitos e rótulos dispensáveis a cada vez em que você me beija.
Nem Pai, filho ou espírito santo poderia julgar aquele beijo, não havia pecado.
Fomos consumidas por nossas bocas que não sabiam estar longe e até o próprio Deus saberia nos entender tamanha vontade de que nosso pecado fosse perdoado.
Não tive medo de nos verem e nos julgarem. Tive medo do teu rosto mudar a expressão e de que em algum momento onde eu piscasse os olhos você se preparasse pra sumir.
Ainda não consigo entender o porque me desculpo se em cada traço dos seus olhos existe uma ordem natural das coisas que não sei de onde veio e pra onde irá.
Apenas marquei teus pontos fracos, gravei teus detalhes sórdidos, o movimento da tua boca falando coisas banais, e do teu corpo pressionando delicadamente o meu quando quer fazer amor, o cheiro dos teus cabelos que talvez eu nunca tenha conhecido, as mãos com as unhas vermelhas de um sangue iluminado, o teu carinho absurdo pagão.
De tudo que mora em você gostaria que me abraçasse por todos os caminhos e talvez um dia que, falássemos que nosso carinho não é exigência, é uma necessidade interminável de espetar nossa liberdade.
Quando carícias encontram dois corpos nos perguntamos da veracidade de qualquer doença e constatamos que a doença está em não saber o tamanho do mundo de movimentos frágeis e calados.
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